Perfume – A História de um Assassino

Como já receitei a alguns amigos: caso tenha vontade de assistir Perfume, sente e espere ela passar. Embora, surpreendentemente, tenha sido traduzido de maneira correta, o que é bem incomum no que se trata de filmes aqui no Brasil, nada de bom existe além disso na obra.

Muitos filmes de roteiro fraco são salvos por uma incrível atuação do ator principal. Esse não é o caso de Perfume. Ben Whishaw é canastrão, não tem carisma e não convence nem por um segundo. Claro que a história não colabora. Com o incrível olfato do personagem principal, que miraculosamente sabe até as dosagens que devem ser utilizadas para fabricar os perfumes, ficamos o tempo todo esperando que algum x-men apareça e tente recrutá-lo.

Já é trabalhoso relevar o super-olfato do personagem. Mas o filme segue forçando a barra. Pouco depois da metade do filme, qualquer pessoa normal já acha que o roteirista já passou dos limites. Mas garanto que mesmo aí não se é possível imaginar o que vem no final.

Sou contra contar o final de filmes em qualquer espécie de resenha. Mas é um dever cívico impedir que mais pessoas sofram com esta porcaria: após conseguir matar pilhas de jovens e extrair delas a essência de seu cheiro (ignorando qualquer verossimilhança química), e com a ajuda da mais completa mosquisse daqueles que com ele viviam, o jovem assassino finalmente consegue fazer seu perfume, com a essência de 13 virgens (algo praticamente impossível de obter na mesma cidade, hoje em dia). Quando acaba sendo preso, ele coloca seu perfume, e todos se ajoelham perante ele, achando que ele é um anjo e impedindo que ele seja enforcado. Loco após toda a cidade se joga em uma orgia alucinada, enquanto ele foge, com o perdão até do vingativo pai de uma das moças.

Fechando com chave de merda, em uma inspiração “não consigo terminar isso”, semelhante à do Spielberg em inteligência artificial, o roteirista faz o cara voltar até a cidade natal, ao bairro onde nasceu, e ser devorado pela plebe, enlouquecida por causa do fabuloso perfume.

Impressionante no filme apenas a falta de noção do roteirista e do diretor, e a falta de amor próprio do Dustin Hoffman de compactuar com toda essa merda.

3 Responses to “Perfume – A História de um Assassino”

  1. M Says:

    Parece uma sessão ruim de Ravenloft.

  2. Bruno Says:

    Se tu acha que o roteirista é maluco por ter feito isso, o que diria do Süskind, que escreveu o livro lá por 85?
    Não vi o filme, mas no livro a coisa funciona, meio como realismo fantástico.
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=53104

  3. Knarf Says:

    Um dos melhores filmes que já vi.
    O filme é muito bem construído.
    É uma película para poucos. Soberbo.
    Vou procurar o livro. Valeu pela dica Bruno.

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